Ai que saudade...
Do tempo em que não passava de uma ingênua criança
Do tempo em que o futuro ainda era algo longínquo com o qual podia sonhar
Do tempo em que nada era, apenas, queria ser
Ai que saudade...
Acordar cedo
vestir o uniforme escolar
rever pessoas que o tempo tratou de apagar da minha frágil memória,
partir para o lugar do qual um dia pensei sair "doutor".
Ai que saudade...
Dos que se foram sem ao menos se despedir
Daqueles que um dia estiveram ao meu lado, tão próximos...
mas que partiram para a viagem da qual jamais voltarão.
Ai que saudade...
Do sorriso fácil do meu inesquecível "Tio Chagas"
Da sua presença simples, porém não menos marcante
pulverizada por um crime estúpido e inexplicável
Ai que saudade...
Da minha primeira igreja,
Da minha primeira - e o tempo insiste em torná-la única - referência de fé,
Da minha primeira oração,
Do meu primeiro e canhestro sermão,
Dos meus primeiros irmãos.
Concordo com o que disse Rubem Alves: "a saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar", por isso é que permaneço declamando: Ai que saudade...
Nenhum comentário:
Postar um comentário