Ontem, cedendo a alguns velhos convites, fui a um culto em uma grande igreja próximo a minha casa. Na verdade, essa denominação é um verdadeiro fenômeno no quesito público. Segundo estimativas dos próprios organizadores, ontem havia mais de 4 mil pessoas naquele local.
Porém não é tal estimativa que surpreende. O mais supreendente é que esse número não passa de rotina nas celebrações daquela denominação.
Muitos já haviam me convidado para conhecer o tal "fenômeno". Alguns até me alertaram sobre o "perigo" de desejar filiar-me a mesma imediatamente após o culto frente ao grande impacto que este vem causando nos que ali se fazem presentes. Usando uma expresão de uma das cantoras do grupo de louvor da mesma, eu corria o perigo de "viciar-me".
Pois bem. Chegou o tão aguardado dia. O dia no qual, enfim, poderia ver, presenciar, testemunhar, "experimentar" a tão propagandeada "unção" espiritual que envolve aquele lugar.
Nesses pouco mais de dez anos de convertido ao Evangelho, visitei, preguei, participei de congressos, assisti à inúmeras conferências e palestras, estive em vigílias de oração, isso em inúmeras denominações evangélicas. Arminianas e calvinistas, pentecostais, neo-pentecostais e tradicionais, enfim, em quase todos os tipos de seguimentos do mundo evangelico-protestante. Essa experiência, apesar de não tão dilatada assim, concede-me o necessário tirocínio para antever alguns "sintomas" que possivelmente exprerimentarei ao visitar certas denominações.
Ontem...não foi diferente. Tudo que senti havia intuído antecipadamente.
Infelizmente havia acertado em tudo. Digo infelizmente porque, sinceramente, ficaria imensamente feliz se surpreendido fosse. Mas, não fui.
Muito barulho, pouco conteúdo. Muita música, pouca adoração. Muitas pessoas, poucos discípulos.
Saí daquele local com a angustiante sensação de haver assistido a um show - ruim, por sinal - e não, cultuado.
A impresão que tenho é que existem muitas igrejas confundindo ajuntamento com culto. Traseuntes com membros compromissados com o Evangelho. O próprio Jesus já nos alertara de que conviveríamos com tais dilemas. Cresce "o joio", e de igual modo "o trigo", no mesmo terreno, quase que cofundidos pela proximidade, porém essencialmente distintos.
Sei que preciso refletir e orar mais para falar com mais propriedade acerca de situações como essa.
A única certeza que tenho é que essa foi uma experiência inquietante.
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