sábado, 5 de março de 2011

Minha conversão á leitura

A leitura foi um hábito que desenvlovi tardiamente em minha vida. De fato tudo começou não na escola - onde deveria ter sido - mas quanto tive contato com a Bíblia Sagrada. Minha conversão a Cristo aos 18 anos impulsionou - me a cultivar uma atividade a qual nunca antes me dedicara: a leitura. A princípio, apenas a Bíblia. Posteriormente as Escrituras e alguns livros que versavam sobre tópicos bíblicos.
Mas alguma coisa diferente estava acontecendo comigo. Eu não sabia descrever o que era. Talvez fosse o fascínio produzido pelo que mora dentro do texto. Ou talvez, o prazer de simplesmente estar conhecendo mais, entendendo mais, enxergando mais.
Todavia tais justificativas eram simplórias demais para satisfazer o meu "ego" indagador. Descobri então que estava sendo "assaltado" pelo germe do conhecimento: a curiosidade. Sem a curiosidade jamais haveria ciência e nem muito menos conhecimento.
A constatação de que acertara no diagnóstico é que aos poucos fui dilatando minha agenda diária de leitura. Comecei a introduzir outros assuntos que não estavam - pelo menos diretamente - relacionados à Bíblia propriamente dita. Ao passo que conhecia a história do povo hebreu, senti a necessidade de conhecer melhor a história da minha nação. Tomei um livrinho de História do Brasil, antigo e bastante empoeirado e, literalmente, "devorei".
Na igreja onde tinha acontecido a minha conversão rapidamente surgiu a oportunidade de discursar, pregar a Palavra de Deus. Paralelamente surgia em mim a seguinte indagação: se tenho de falar em público preciso, no mínimo, saber expressar-me a contento. Começava aí uma "relacionamento amoroso" com a língua portuguesa.
Tão habitual quanto escovar os dentes ou tomar banho era estar à mesa com uma Gramática. Desse ponto em diante "um abismo" foi chamando outro "abismo".
Apaixonei-me à primeira vista pela literatura brasileira. O Quinhentismo, o Barroco, O arcadismo, o Romantismo, O realismo - de onde se deriva, a meu ver, o escritor por excelência Machado de Assis - temas outrora abjetos para mim assumiam agora contornos diferentes.
Fui estudar grego, uma das gêneses do nosso vernáculo. Simplesmente, fantástico! Embriaguei-me com o "vinho" da cultura grega.
Já tive a oportunidade de ler obras filosóficas, tratados sociólogicos, obras de psicologia, administração, um pouco sobre educação. Tive a honra de conhecer a poesia de Fernando Passoa e a oportunidade de compreender melhor a política brasileira "aos pés" de um frade dominicano.
Nos últimos anos, resolvi aprender Inglês.
Mas essa é uma outra história.
Enfim, foi assim que se deu a minha conversão á leitura.

Um comentário:

  1. Gostei da estória sobre sua conversão à leitura! Devo confessar, Geilson, que eu tenho compreendido mais a leitura de outros livros depois que passei a ler as Escrituras Sagradas. Elas "abriram" o meu entendimento. Achei interessante, em seu texto, que o estudo da língua portuguesa tornou-se "Tão habitual quanto escovar os dentes ou tomar banho era estar à mesa com uma Gramática". Pelo que pude notar, você decidiu aprender o inglês depois que tomou gosto pela língua portuguesa. Comigo, aconteceu o oposto. Decidi aprender a língua portuguesa, depois que tomei gosto pela língua inglesa. Me dá muito contentamento estudar idiomas. Me fascinam. Eu só espero gostar mais de literatura como você. Pois, por enquanto, meu foco só é gramática. Muito bom texto!!

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