segunda-feira, 28 de março de 2011

Todo pastor é pregador?

Afinal de contas, todo pastor é, por definição, um pregador por excelência?
Respondo que não. Desejo justificar minha resposta.
Para chegar a essa conclusão parto do pressuposto de que Deus dispensa dons sem olhar a quem. Acredito piamente que os dons, concedidos pelo Criador para que o sirvamos melhor, não são entregues por merecimento.
Também entendo que esses mesmos dons não são fornecidos de modo seletivo. Talvez possa ser mais claro. Por exemplo: “Quem tem o dom de cantar também leva junto o dom de tocar”; “quem é intercessor também é profeta”; “quem é pastor, obrigatoriamente, também é pregador”. Definitivamente não é assim que vejo os dons.
Creio que possa sim haver casos onde se tenha a figura do pastor, homem ou mulher, inquestionavelmente dotado de uma aptidão especial para cuidar e aconselhar, mas que concomitantemente, não exala uma grande aptidão para o púlpito.
É perfeitamente possível que o Pastor, apesar de pregar e ensinar – tarefas das quais nenhum deve se eximir – possa sim apresentar certa imperícia no ato da proclamação do Evangelho.
Não creio que ser pastor e ser um grande orador sejam habilidades que devam imperiosamente estar relacionadas uma com a outra. Como também não creio que a função da prédica seja uma exclusividade do Pastor. Se ousarmos falar de exclusividade em alguma coisa teremos que, fatalmente, afirmar que o púlpito é uma exclusividade de quem foi chamado(a) para estar lá, assim como no louvor, na intercessão, no trabalho infantil, e outros.
Mas, como bom amante da democracia, prefiro não falar em “exclusividade”.
Por conta disso é que o púlpito não deve jamais ser patenteado por alguém, assim como nenhuma outra parte da igreja. Tudo é de todos. E tudo é do Senhor. Somente este pode dizer quem deve ou não estar em algum lugar.
A verdade é que pode ocorrer – e invariavelmente acontece – de termos na igreja pessoas que tenham uma melhor desenvoltura no púlpito do que o próprio Pastor, homens ou mulheres que conseguem transmitir uma mensagem com maior eficiência, haja vista terem sido chamados para essa função. Fato que não minimiza a importância do ministério pastoral o qual não se resume apenas à pregação, engloba sim muitas outras imprescindíveis tarefas.
Diante disso existe algum dilema? Creio que não.
Na verdade tanto o Pastor como o Ministro(a) "não oficial" devem abraçar algumas posturas.
A postura do primeiro é dar oportunidade para que o ministério de suas ovelhas se desenvolva. A do segundo é entender que dom ou capacidade não está, necessariamente, ligado à autoridade.
Portanto se para o primeiro a palavra é investimento, para o segundo é submissão e respeito.
Estou ciente que muitos não concordam com essa visão. Porém, é assim que penso.

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